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TAPETE DE ARRAIOLOS

Deitar tapete, assentar tapete em S. Roque, era, na Lisboa seiscentista, obrigação de escravos que os homens das descobertas obrigaram a aportar à capital do império, e privilégio de fidalgos e senhores de muitos haveres que, ao templo dos Padres da Companhia de Jesus, acorriam para escutar os sermões do Padre António Vieira.

O tapete, expressão cultural elaborada, reflexo de poder e de abastança, torna-se, nas diferentes culturas de que é representação, elemento importante da vida social, política e religiosa.

Larga é a documentação (textos e pinturas) que refere da função e papel desempenhados, nos diferentes contextos sócio-económicos que, através dos tempos, integrou.

Do Tapete de Arraiolos - bordado a lã (ponto cruzado oblíquo ou entrançado eslavo) sobre tela (linho, estopa, grosseria ou canhamaço), a fios contados - já nos finais do século XVI, referências há que atestam o seu fabrico, nesta vila alentejana.

No inventário dos bens pessoais ordenado pelo juiz dos órfãos à morte dos respectivos proprietários, já, em 1598, surge a primeira referência a um tapete feito nesta vila:

"hum tapete da teRa novo avalliado em dous mill Reis"

Raros não são os documentos que no mesmo inventário, entre 1598 e 1700 referem da existência de bordadeiras, do fabrico do tapete, assim como da existência de artesãos - cardadores, pisoeiros, tintoreiros e tecelões - que se dedicavam ao tratamento das lãs e execução das telas.

O Tapete de Arraiolos cuja organização pré-decorativa - barra, campo e centro (sempre que contém o ornato central), dividindo-se em quatro partes iguais (quartos) - se rege pelas mesmas regras princípios que definem o tapete persa, teve, na sua fase inicial, última década do sécula XVI / primeira década do século XVII, ourigem mourisca.

Os exemplares executados neste período, grande parte do século XVII, apresentam forte influência oriental - grande profusão de motivos Persa, Iraquianos, Indio-Persas, associados a um cromatismo de grande riqueza e de desenho geométrico, finamente elaborado. Em alguns destes exemplares, grande parte dos motivos foram delineados a ponto pé-de-flor. Noutros, a influência de motivos dos tapetes espanhóis de Alcaraz e Cuenca, está bem presente.

Pouco a pouco a presença de motivos orientais vai-se esbatendo e vão sendo substituídos por motivos antropomórficos (finais séc. XVII / princípios séc. XVIII). As cores tornam-se menos ricas e os elementos decorativos mais dispersos.

Já sem a presença de quaisquer motivos orientais, os exemplares de finais séc. XVIII / princípios de séc. XIX, apresentam forte presença de elementos vegetalistas, de colorido pobre.

Mas, se na vila muitas são as famílias que, durante três séculos, encontraram, no fabrico de Tapetes de Arraiolos, forma de expressão, fonte de trabalho e ganha-pão, também nos conventos alentejanos em redor, monjas e freiras, no recato dos claustros, souberam exprimir uma fé contida, criando alguns dos mais belos exemplares.

Nos finais do séc. XIX, a produção dos Tapetes de Arraiolos é quase inexistente, limitando-se à existência de algumas bordadeiras que, por encomenda, executavam tapetes, assim como dos que para suas casas, algumas senhoras da terra, nas noites longas de inverno, foram executando.

Neste período, a escassez de meios levou à execução de exmplares em cores naturais: brancos, castanhos e sorrubecos.

Com início do séc. XX, dá-se o "ressurgimento" dos Tapetes de Arraiolos - um grupo de senhoras da terra, recriaram exemplares com base em modelos, que, em épocas e tempos diferentes, foram referência obrigatória dos Tapetes de Arraiolos, dando início a uma nova época.

fonte: Câmara Municipal de Arraiolos
texto: Manuel Borralho

 
 
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